Conheça o Livro Raízes e Asas

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sábado, 5 de junho de 2010

Em Breve: novo sorteio de antologias no blog


Em breve farei mais um sorteio de antologias neste blog. Estou fazendo um levantamento dos exemplares remanescentes. Após alguns dias saberei com precisão, pois recolherei aqueles que sobraram das vendas em bancas de revistas.

E boa sorte para todos os seguidores, pois a exemplo dos sorteios passados, o próximo também será feito entre os seguidores do blog.

sábado, 29 de maio de 2010

Sobre a Bienal de Minas 2010


Participar da Bienal de Minas 2010 foi algo emocionante e que me proporcionou grande crescimento pessoal, humano e cultural. Encontrei diversos escritores já estabelecidos no mercado e personalidades famosas. A diversidade cultural e o grande número de editoras e livrarias presentes foi capaz de despertar prazer e sede de conhecimento em todos os presentes.
Quanto a mim, participei ativamente, cerca de doze horas por dia, durante os nove dias da Bienal. cheguei no último dia, domingo, 23.05, exausto, mas feliz e completamente realizado. O público adquiriu Raízes e Asas, e tive a grata surpresa de ter leitores comprando um segundo exemplar para presentear amigos e parentes, e outros leitores comprando o livro por indicação de terceiros.
Também foi surpreendente o pessoal ligado à área didática e pedagógica, bem como ongs ambientais e pessoal ligadas ao meio ambiente que se interessaram pelo livro e o adquiriram.
Sou grato a todos os leitores pela manifestação positiva, por adquirirem o livro e recomendá-lo, e à todos aqueles que contribuíram para que o livro Raízes e Asas fosse publicado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Antologia Bienal de Minas All Print Editora


Ronaldo Luiz Souza e All Print Editora tem a honra de convidar a todos para o lançamento da

ANTOLOGIA DE POESIAS, CONTOS E CRÔNICAS – Especial Bienal De Minas Gerais que será realizada no dia 23/05/2010, a partir das 16h00 na Rua G - estande 18 - Pavilhão 2,

EXPOMINAS: Avenida Amazonas, 6.030 - Bairro Gameleira - Belo Horizonte, MG – Bienal.

Aguardamos sua presença!

Nesta antologia se encontra meu conto: O Inverno de nosso Romance.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Entrevista concedida ao Portal Cranik

Esta entrevista está no site Cranik através do link

http://www.cranik.com/entrevista141.html


ENTREVISTA:

Ademir Pascale: Para iniciarmos a entrevista, gostaria de saber quais foram as suas principais influências e como foi o início de Ronaldo Luiz Souza para o meio literário?

Ronaldo Luiz Souza: Meu maior tesouro na infância era um velho baú cheio de revistinhas em quadrinhos e livros infantis. A paixão pela escrita nasceu daí, deste outro mundo que se descortinava com todas as historinhas que eu relia à exaustão, e por isto, vivia fazendo novas amizades com outros colecionadores de quadrinhos para trocar ou emprestar revistinhas. Daí para a literatura, anos mais tarde, foi um pulo. Li muitos autores estrangeiros de várias nacionalidades. Um deles que muito me marcou foi J.M. Simmel, alemão, que muito escrevia sobre os dramas humanos na sociedade alemã após a segunda Guerra Mundial. Mas lia tudo o que caía em minhas mãos. Até bula de remédio e manuais de instrução, rsrsrs. Mas li autores de todos os estilos. Alguns clássicos e outros populares. De Emile Bronté, com o seu O Morro dos Ventos Uivantes, à Richard Bach. Também Júlio Verne, Asimov, Clarke, Lobato, Sheldom, Robim Cook, Huxley, Oscar Wilde, Olavo Bilac, Machado, etc. Não conseguiria listar tudo que já li e nem a quantidade porque sempre estive lendo alguma coisa durante todos os anos de minha vida. Mas é certo que, numa época onde não havia computadores, internet, jogos eletrônicos e comunidades virtuais, e ainda era estudante, o tempo livre era muito maior e eu o aproveitava em minhas viagens literárias. Entre a adolescência e a juventude, escrevi poemas, letras de música, uma peça de teatro e uma história de fantasia. Mas nada disso foi publicado. Somente muito mais tarde, é que decidi ser um escritor profissional. E a cada dia desde então, venho construindo minha carreira literária que começou de forma mais concreta a partir de minhas participações em antologias, coletâneas de contos reunidos de vários escritores, publicadas por editoras.

Ademir Pascale: Poderia comentar sobre as suas participações em antologias?

Ronaldo Luiz Souza: Elas começaram com o conto A Árvore dos Malditos, publicado em Réquiem para o Natal, antologia da Andross Editora, em 1998. Este conto fora especialmente desenvolvido para a temática do livro, que era a de histórias sobrenaturais, de suspense e terror com temática natalina. De lá para cá foram muitos outros contos de variados temas e gêneros publicados por outras editoras: All Print, Tarja, Andross, Multifoco, Scortecci, CJBE e Giz. Já são quase duas dezenas de contos publicados. Três destes contos e outros contos não publicados em livros, e também textos e poemas, estão liberados para leitura no meu blog (cantodetextosepalavras.blogspot.com).

Ademir Pascale: Conheci Ronaldo Luiz Souza escrevendo contos do gênero horror e ficção científica, mas parece que o seu primeiro romance, intitulado Raízes e Asas – A busca pela sabedoria do caminho, abrange um outro gênero. Poderia dizer qual foi a ideia inicial para a construção da obra, sinopse e onde os leitores poderão adquiri-la?

Ronaldo Luiz Souza: O livro Raízes e Asas foi escrito durante quase três anos, muito antes das minhas participações em antologias se iniciarem. Vim lapidando o texto o máximo possível desde então, buscando uma editora que se comprometesse efetivamente com a divulgação da obra. Sempre fui fascinado pelos gêneros de ficção e fantasia. Raízes e Asas é uma fábula moderna, capaz de nos emocionar e levar a refletir sobre nossas ações individuais e coletivas. A idéia surgiu muito tempo atrás, anos antes de iniciar sua escrita, com visões de cenas, fortes sentimentos e pensamentos constantes que se entrelaçavam buscando unificar e dar sentido à história. Desde a primeira leitura crítica do livro por profissionais da área, passando por revisores e leitores Beta, até o editor, o feedback do livro foi sempre muito maior que o esperado. Creio que isto se deve ao fato do livro ter sido escrito com o coração, a fim de emocionar e encantar pessoas de todas as idades. Raízes e Asas é uma fascinante história que transcende a simples questão ambiental. É uma fábula que nos traz de volta aquilo que nos define como “humanos”: a sensibilidade, a reflexão, o amor, e a solidariedade. O leitor com certeza vai se emocionar com a história de Branno, um pássaro migratório, e seu encontro com um solitário pinheirinho em um vale que, embora deserto quando de seu nascimento, fora antes uma imensa floresta devastada pela mão do homem. Vidas e destinos do nosso planeta se entrelaçam e expõe as ações humanas e suas consequências. Na minha opinião o livro fala direto ao nosso eu interior. E o concebi desta forma, para ser uma leitura simples, mas podendo ser objeto de várias releituras, pois o livro contém em si várias camadas de reflexões. Os leitores poderão adquirir o livro na data do lançamento na Bienal de Minas, no site da Editora Usina de Livros, no meu blog (autografado) e em breve, também na Livraria Cultura e na Saraiva. Quem quiser saber mais informações sobre o livro, basta acessar o blog de Raízes e Asas (livroraizeseasas.blogspot.com).

Ademir Pascale: Na sua opinião, como está o mercado editorial para os jovens escritores?

Ronaldo Luiz Souza: Na minha opinião o mercado editorial brasileiro, que sempre fora fechado em si mesmo, publicando apenas bestsellers consagrados no exterior, tem se aberto aos poucos, ainda que muito vagarosamente, para descobrir que também temos muitos bons escritores com potencial e talento. Não vou citar tantos deles aqui. Mas fico imensamente feliz ao ver um escritor nacional como o André Vianco ter conseguido notoriedade e sucesso, já tendo publicado diversos títulos. E ainda que seja muito criticado, também fico feliz e admiro o sucesso conseguido pelo Paulo Coelho. Afinal, quando foi que um escritor brasileiro teve mais sucesso em suas publicações do que ele? Em Minas, meu Estado Natal, há atualmente um grande prêmio anual que entre outras categorias, incentiva os jovens escritores. Até 25 anos o jovem escritor pode inscrever o esboço de sua obra (inédita) e concorrer a uma bolsa prêmio de R$ 42.000,00! É uma iniciativa que, pelo que eu saiba, é inédita no país e merecedora de todos os elogios dos profissionais da área. Então vejo que, ainda que lentamente, o mercado vem se abrindo. Mas é preciso que o jovem autor arregace as mangas e trabalhe muito em busca de seu sonho e não desanime com os obstáculos.

Ademir Pascale: No seu ponto de vista, por que o índice de vendas de livros do gênero fantasia e suas vertentes cresceu tanto no Brasil?

Ronaldo Luiz Souza: Acho que isto não é somente no Brasil. E um certo crédito deve ser concedido ao cinema. Após muitas adaptações bem sucedidas dos quadrinhos e de livros para as telas, o gênero fantasia cresceu fantasticamente e ficou muito em evidência. Os jovens leitores são os mais ávidos por este tipo de leitura. Aqui no Brasil sempre houve um público ávido por histórias de fantasia e ficção científica que infelizmente não tinham como se satisfazer. Poucos títulos eram traduzidos e publicados pelas editoras. E os poucos escritores brasileiros do gênero não tinham como publicar seus livros. Diante da mudança do mercado e os meios mais acessíveis de mídia como a internet, o paradigma mudou. E o mercado editorial está mais sensível ao gênero, embora pudesse ser estar mais acessível.

Ademir Pascale: Existem projetos em pauta?

Ronaldo Luiz Souza: Sim, muitos. Mas entre uma boa idéia e o livro como produto final, há uma grande distância. Porque idéias não faltam a um autor criativo. Entretanto, o difícil mesmo é trabalhar estas idéias e transformá-las, em certo espaço de tempo, num original bem acabado. Mas o trabalho não é nada, se comparada à absoluta falta de tempo que assola a todos nós, escritores ou não. Este é o mal do século, rsrsrs. Então, para escrever, devemos ter absoluta disciplina e persistência. E contar com uma pitada de sorte, depois do livro pronto, de encontrar a editora certa para aquele tipo de Original.

Ademir Pascale: Como os leitores poderão saber mais sobre você e suas obras?

Ronaldo Luiz Souza: Acessando o meu blog principal (cantodetextosepalavras.blogspot.com) ou seguindo um dos meus perfis nas várias comunidades em que participo e que também estão listadas lá no meu blog.

Perguntas Rápidas:

Um livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas
Um(a) autor(a): Machado de Assis
Um ator ou atriz: Alessandra Negrini
Um filme: Fim de Caso (The end of the Affair)
Um dia especial: O dia do lançamento de Raízes e Asas, 14.05.10
Um desejo: Ser um escritor mundialmente reconhecido

Ademir Pascale: Foi um prazer conversar contigo. Desejo-lhe muito sucesso em suas empreitadas literárias. Um forte abraço.

Ronaldo Luiz Souza: O prazer foi todo meu, Ademir. Também desejo-lhe sucesso. E muita felicidade para todos os leitores desta entrevista.

sábado, 1 de maio de 2010

Antologia Bienal de Minas All Print Editora




Meu conto O Inverno de nosso romance estará presente na Antologia Especial Bienal do Livro de Minas que a Editora All Print irá lançar na Bienal de Minas, dia 23/05/2010, Domingo, às 16:00 horas no Stand da ALL PRINT EDITORA - RUA G - STAND G18.

Quando as trilhas do amor se bifurcam onde estará o caminho da felicidade? Quando um casal chega à momentos de decisões que podem tanto levar ao perene caminhar juntos quanto ao rompimento final, quais as decisões, o que passa pelas mentes e corações de cada um? É neste cenário instável que se encontram Fernanda e Lauro, um casal como tantos outros, personagens do conto O Inverno de nosso romance.

A antologia Especial Bienal do Livro de Minas em breve estará no site da editora All Print para a venda.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Data e horário Oficial do Lançamento do Livro Raízes e Asas

Acertados os detalhes do Lançamento de Raízes e Asas na Bienal de Minas:

Onde: na Bienal de Minas 2010
Local: Expominas, à Avenida Amazonas, 6.030 - Bairro Gameleira - Belo Horizonte, MG
Quando: dia 14 de Maio, às 18:00h
Estande: M09, Rua M, Usina de Letras


Desde já convido todos os inúmeros leitores deste blog e o público em geral para estarem presentes ao evento.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

e-book Beijos e Névoas


Abro novamente um espaço neste blog para divulgar o trabalho de outros autores. Recebi o material de divulgação destas escritoras e realmente está muito bem elaborado. Bem feito e bem estruturado. Vale à pena dar uma olhada no material. E abaixo há dois links: um para degustação parcial do texto e outro para adquirir o livro completo.
Aproveitem e deliciem-se nestes adoráveis delírios femininos...


BEIJOS E NÉVOAS

Entre névoas e sombras, grandes mistérios e amores profundos esperam por você.

Trazendo o clima épico dos grandes mitos, Celly Monteiro nos conta duas histórias, em que a magia dos deuses e o encantamento das bruxarias não conseguiu destruir um amor puro e forte, e o encontro de duas almas destinadas a ficarem juntas.

No seu conto, Didi Oito Dedos nos prende à sua trama de suspense, na qual um pai de família desesperado se vê envolvido por uma teia diabólica de eventos estranhos, dos quais uma casa maldita é a causadora.

Jossi Borges traz agora um conto romântico-sobrenatural, em que uma moça é levada, através da hipnose, a conhecer uma outra vida, de outra mulher... e auxiliar seu espírito perturbado. Porém, não sabia as consequências assustadoras que esse mergulho no passado lhe traria...

Mia Hertz surpreende novamente, com dois contos erótico-sobrenaturais. Mocinhas audaciosas, sonhos de luxúria, homens agressivos e cheios de rudeza... homens-felinos em um mundo pós-apocalíptico e muita sensualidade.

Rebis Kramrisch traz uma doce história de magia, onde a delicadeza de um amor transpõe os limites da razão e une dois corações diferentes... No segundo conto, uma fantasia juvenil que se torna real, quando o amigo espiritual de Aline a visita em seu décimo-sexto aniversário, fazendo-lhe uma surpresa inesquecível. E ainda nos traz uma história em quadrinhos, "Delírio de Outono", plena de beleza e poesia.

Telyka Madelynne traz "Mulher de Fases", um conto moderno ambientado na florestra amazônica. Alcina é uma mulher corajosa, forte e bonita, mas sofrida. Após um relacionamento
insatisfatório com um homem cruel, ela encontra o verdadeiro amor às margens do rio... em um amante misterioso, belo, másculo... que um dia desaparece sem deixar rastros.

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Formato: PDF - 104 páginas
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você pode adquirir uma degustação do texto no link abaixo:

http://www.4shared.com/document/dYLe17C5/Beijos-e-nevoas_-_Rebis_Kramri.html


e pode também adquiri AMOR & LIVROS (o texto completo) neste outro link abaixo:


http://amorelivros.justtech.com.br/product_info.php?cPath=123_136&products_id=1129

sábado, 24 de abril de 2010

Estilhaços

Conto publicado no livro Contos de Outono 2010 da Câmara Brasileira de Jovens Escritores e on line na página da editora: http://www.camarabrasileira.com/out10-048.htm


Estilhaços

A fotografia ainda se encontrava no porta-retratos em cima da mesa, exibindo-se indiferente ao olhar que a observasse.


Ela estava lá. E também fora responsável por tudo que acontecera.

Neste momento, não importa mais o que ela representa, os personagens que ela mostra, ou o instante capturado do irrecuperável tempo que se esvaiu de nossas vidas. Não importa nem mesmo os sentimentos vividos ou lembrados por aquelas faces sorridentes, ou o lugar onde se encontravam.. nada importa mais, e é por isso que baixei o porta-retrato, escondendo a foto de encontro à mesa, e porque o atirei à parede, tomado de fúria, depois disso. O instante ainda está gravado em meu cérebro, e com certeza ficará lá como um filme perpétuo a ser projetado na tela de minha mente, enquanto eu viver. Porque nunca me esqueci. Porque nunca me esquecerei.

Ela saía de um táxi, uma chuva fina a alcançava, e preparava-se para correr. Por sorte, eu estava pouco atrás, apressei meus passos e lhe ofereci, com um gesto e um sorriso, carona em meu guarda-chuva até a proteção da marquise mais próxima. Ela hesitou entre a necessidade de se manter seca e a proximidade com um estranho. Mas acho que foi o meu sorriso, acompanhado de uma segurança que me faltara até então, o que conquistou sua simpatia. O destino dela era um pouco mais longo que a marquise mais próxima, motivo pelo qual me regozijei. O meu também o era, e se não o fosse, eu faria com que tivesse sido, tal o prazer que sua proximidade me causara.

Conversamos sobre amenidades, protegidos pelo abençoado guarda-chuva. Então, bem depois, a chuva cessada, passando por uma praça pública onde vicejava um belo jardim,

sabíamos que os nossos caminhos se bifurcariam. E à despedida, ela se postou à minha frente, me deu a mão, e sorriu agradecendo a gentileza. Nossos lábios se calaram e os olhos disseram tudo que havia para ser dito em uma infinidade de possibilidades. Um fotógrafo nos clicou, e nos ofereceu a foto instantâneamente revelada, achando tratar-se de um casal de namorados.

Ela ruborizou-se. Eu gostei da idéia. Comprei duas. Presenteei-a com uma, e fiquei com a outra, esta que atirei na parede. Este é o instante da foto: um casal enamorando-se. O sorriso de ambos, a admiração, a atração e a ternura estampadas em cada face. Foi onde começou nosso relacionamento. Mas onde o mesmo terminara... ainda está fresco e vívido em minha memória, embora eu só queira esquecer os erros cometidos...

Mas não é assim tão fácil. Aliás, nem um pouco.

Tudo cintila com tamanha vividez em frente aos meus olhos que pareço viver ainda os momentos... escuto o barulho do ambiente, percebo os odores exalados no ar, as nuances de luz e sombras, as pessoas que passam ao redor, os carros que cruzam a avenida, o camelô vendendo quinquilharias, e até o pivete que passa correndo um minuto antes de eu ter sido abordado pelo policial e meu mundo ser destruído...

No ápice de nossa felicidade ela vê nossos nomes nos convites de casamento. Sabrina e Túlio. As letras, elegantes, cintilam graciosamente em dourado, prometendo uma vida a dois, a partir da data tão esperada, dentro de poucas semanas.

Ela sorri, feliz. Beijo seu sorriso e fico emocionado. É um dos momentos mais belos de minha vida. Dois dias depois resolvo lhe fazer uma surpresa e passo em seu apartamento. Tenho a chave e entro. O apartamento está vazio, mas ela deveria estar lá. Não está. E o que vejo me assombra e me joga no buraco mais profundo que poderia cair.

Há fotos no chão. Diversas. De uma mulher nua. De um homem nú. De ambos fazendo sexo. O homem me é desconhecido, mas a mulher... é ninguém mais que ela... Sabrina, minha noiva. Meus nervos se abalam, o chão sai de debaixo de meus pés. Busco algum sentido em tudo aquilo e não encontro. No quarto, a cama está desfeita, uma garrafa de vinho aberta e vazia, e por cima dos lençóis, a foto rasgada, aquela mesma foto daquele instante na praça...

A explosão de ira seca minha lágrimas ainda na fonte e endurece meu coração, engessando todo e qualquer sentimento. Saio dali, jurando para mim mesmo que nunca mais a veria.

À noite me ligam do hospital, a telefonista relata que Sabrina está internada e que pede para me ver. Fico irredutível, digo que não sou parente, não quero saber e não irei até lá. Dia seguinte, cancelo todos os preparativos do casamento, me mudo para um hotel, dou ordens à minha secretária e ao porteiro do prédio em que trabalho para não deixá-la entrar, caso apareça. Não atendo suas ligações. O rompimento é total. Não há volta. Não há perdão.

Nos dias seguintes chegam mensagens escritas e de voz, e-mails, cartas, bilhetes. Ignoro tudo. Uma semana depois, enquanto vago a esmo pela rua, um agente policial me reconhece e me detém. Pergunta-me sobre Sabrina. Estranho, e digo que não a vejo mais há cerca de duas semanas. Ele me ordena que o siga até a delegacia. Sem escolha, o faço sem nada compreender. E lá, o investigador responsável me conta que ela fora brutalmente estuprada uma semanas antes, e apresenta o laudo de corpo delito atestando o estupro. Fora um marginal, apelidado Tizil, agora preso. Ele a obrigara a tirar as várias fotos encontradas no apartamento dela. Em seu depoimento ela disse que ele entrara para assaltar a casa e já estava saindo com várias coisas, quando vira a foto dela comigo, no porta-retratos. Então ele voltou...

Senti estar vivendo um pesadelo interminável.

Minha memória vagou rapidamente ao passado, após ouvir o nome do criminoso... Numa noite, voltando do trabalho, próximo a um bar, socorri uma mulher que estava sendo agredida e roubada por um vagabundo. Soquei-o e libertei a vítima... mas não me lembrava disto até este momento.

- Tizil, guarde bem este nome... – gritara o malandro caído ao chão, enquanto eu me afastava o mais rápido que podia.

– ...pois você vai lamentar o resto de seus dias...

Não dei ouvidos e esqueci-me completamente do fato. Até este momento.

Era um pesadelo interminável o que vivia. Sabrina não me traíra, fora vítima de um estupro... O remorso e o arrependimento rasgaram meu coração: ela chamara por mim, pedira minha ajuda, implorara para que fosse até ela. E eu, furioso por um engano, não a atendi.

- Preciso ir até ela. – disse, já saindo, mas o investigador postou-se à minha frente e me impediu.

- Não pode, e é por isto que está aqui.

- Como? Não posso? O que quer dizer?

- Ela foi encontrada nesta noite... morta em seu apartamento. Overdose de tranqüilizantes e soníferos.

Não pude conter as lágrimas.

-Não. Não posso acreditar...

Quanta dor física e emocional ela não teria sentido, até seu último momento de desespero... e eu, em minha cegueira egoísta, me descobria agora como um sujeito bruto e insensível.

Volto atordoado para casa, o porta retratos ainda está em cima da mesa. Atiro-o contra a parede. Mas logo em seguida sangro os dedos nos estilhaços tentando recuperar a foto. Minha dor não é física, mas é real, forte e indescritível...

Um julgamento errado e tudo perdido... para sempre... lamento a perda e a ausência, a dor e a separação, a solidão, o abandono, e a morte...

Caio de joelhos no chão, sem forças, o rosto molhado de lágrimas, segurando em uma das mãos a foto na praça, a nossa foto.

Apenas a escuridão me alcança agora.

Sinto que não há mais nada para viver ou sentir.